Navio que singra
Sem despedidas, nem lenços ao ar
Um estupor azul queima - meu corpo não estar em seus braços
Minha pele não desliza na sua, ondulando quente
O tempo estéril sucumbe arrastado
Desejo-caleidoscópico
Mar índigo que dilatou a íris-encefálica
Da imensidão à deriva, para o sal do suor
A beleza em nós - eclipse
Resta em mim um doirado solar
Meu hálito veraneia a sua falta
Meus cabelos negros ondulam sussurrando a lua
Soturna noite me amplia
Sob os raios de sol advindos do calendário Minha coluna feita de ruínas empilhadas
Se erige para o dia
Kamilly Cordeiro dos Santos
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Kamilly Cordeiro dos Santos é poeta, nerd, neuroatípica?, periférica, negra, goiana, bissexual e escritora desde os quinze anos. Pesquisadora, Advogada da área direitos humanos, apreciadora de todas as artes, redutora de danos, militante, educadora social, amiga. Crê em justiça social e reparação, na poesia e no amor.
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