Seu olhar cinéfilo
capta em mim
curvas perfeitas,
sinuosas, perigosas,
que dão medo...
Seu olhar cinéfilo
me leva a mim
revejo personagens que já fiz:
musa, diva, pintora, atriz de circo, poeta...
pra você quero ser poesia concreta
quero leitura em braile
quero nova persona: a puta.
Puta, puta, puta.
Les sons sont plosives
não há palavra feia.
Quero a carne, a veia.
A pele trêmula de desejo.
Quero ser a puta – aquela que mais te amou.
Não quero a perfeição, a distância.
Quero o cotidiano
ser seu pão-nosso-de-cada-dia
revestido de batom, de confete, de serpentina.
Puta, puta, puta.
Micheline Lage
(LAGE, Micheline. In: Leitura em braile. Montes Claros: Orobó Edições, 2005)
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Nascida em Itabira, Minas Gerais, Micheline Lage é poeta e professora da área de Letras. Mora em Goiânia desde 2011 e leciona no IFG-GOIÂNIA. É Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília. Também é mãe de uma garota extraordinária.
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